
Portugal está entre os 10 Estados-Membros com a maior cobertura do 5G. No balanço mais recente do Observatório 5G Europeu, o país está acima da média europeia, com 98,1% da população a beneficiar de pelo menos um serviço de comunicações móveis de última geração. Apesar de reconhecer avanços significativos na União Europeia, os autores do relatório advertem para o atraso na atribuição das faixas pioneiras, sobretudo nas frequências de 26GHz, presente em apenas 12 países. A lenta progressão das redes Standalone também é considerada um entrave para a competitividade da economia do bloco comunitário.
A cobertura das redes 5G alcançou, em junho de 2024, 89% da população da União Europeia (UE) e quatro Estados-Membros atingiram já os 100%. Dinamarca, Chipre, Malta e Países Baixos estão na linha da frente, mas Portugal também registou um significativo avanço, estando, a par da Alemanha e da Grécia, entre os primeiros 10 países do bloco comunitário com melhor desempenho. Os dados estão destacados no mais recente relatório do Observatório 5G Europeu, que dá conta dos principais avanços das comunicações móveis de última geração nos primeiros seis meses do ano.
Portugal, neste balanço, surge acima da média europeia, com uma cobertura de 98,1%. A faixa dos 3,6 giga-hertz (GHz), no território nacional, já cobre a totalidade da população, enquanto, os 700 mega-hertz (MHz) alcançaram uma cobertura de 83,3%. A única banda ainda sem atribuição é a dos 26 GHz. No que toca, aliás, à autorização de faixas pioneiras 5G no bloco comunitário, o diagnóstico atual mostra que os 3,6 GHz e os 700 MHz estão agora amplamente distribuídos entre os Estados-Membros.
Cerca de metade da cobertura 5G na União Europeia diz respeito aos 3,6 GHz. Os dados fornecidos pelo observatório europeu mostram que os 700 MHz já se encontram atribuídos em 25 dos 27 Estados-Membros, enquanto os 3,6 GHz foram concedidos em todos Estados-Membros. A faixa de frequências de 26 GHz, em contrapartida, foi autorizada apenas em 12 países da União Europeia.
Embora globalmente a evolução seja considerada positiva, os autores do relatório advertem que a autorização das bandas pioneiras 5G já deveria ter sido concluída até ao final de 2021. No geral, estão atribuídas 73% das faixas pioneiras, mas, até à data da conclusão do balanço, os 3,6 GHz eram os únicos concedidos em todos os Estados-Membros.
A expansão das comunicações móveis reflete-se também no número de estações de base 5G que são agora cerca de 460 mil na UE. Em Portugal, segundo os dados divulgados pela ANACOM, o número ascendia, no final do primeiro trimestre de 2024, a 9999 estações de base instaladas com tecnologia 5G.

As redes autónomas estão também entre os capítulos destacados neste relatório. Os autores reconhecem um esforço por parte dos operadores móveis da União Europeia para lançar serviços Standalone 5G (5G SA). Relembrando a sua importância no novo ciclo do 5G-Advanced, os especialistas encaram esta fase como crucial para a competitividade das indústrias europeias. Como exemplos desse compromisso, realçam os mais recentes anúncios da NOS, que lançou em Portugal a sua primeira rede 5G SA, em janeiro de 2024, e da Three Ireland que começou a testar o 5G SA na Irlanda em finais de 2023.
A maioria dos países da UE tem agora pelo menos um operador que já investiu em redes autónomas. Nos últimos seis meses, aliás, o panorama europeu de implantações de redes privadas 5G testemunhou um “crescimento notável” – com mais de 20 novas implantações identificadas desde o último relatório do Observatório 5G. A maioria destas implantações (seis) ocorreu na Alemanha, beneficiando de um espectro 5G dedicado para redes instaladas em sectores como o do automóvel, das indústrias de máquinas e de produtos químicos.
A Alemanha conta agora com um total de 26 redes 5G SA, posicionando-se bem à frente de França, o segundo melhor classificado no ranking europeu, com 12 implementações concluídas. O pódio fica completo com a Finlândia, que totaliza nove redes autónomas, mas Espanha e Bélgica, ambos com nove redes Standalone, surgem logo abaixo.
Outros países com implementações privadas que também são citados no balanço semestral é a Itália, que concluiu a sua quinta implantação numa empresa de infraestrutura energética, e os Países Baixos, com o Centro de Conferências de Amesterdão com a sua própria rede Standalone.
Os resultados alcançados, porém, representam uma pequena parcela dos serviços prestados pelos operadores, advertem os autores, concluindo que o foco principal da implementação 5G na União Europeia continua a ser a expansão de redes comerciais 5G que ainda fazem uso de bandas 4G em espectros dinâmicos.

Com o aumento da cobertura, as assinaturas 5G também cresceram, duplicando o seu valor na Europa Ocidental, com 25% da quota do mercado. As subscrições de serviços móveis de última geração totalizam agora 140 milhões de assinantes nesta região. Ainda assim, o 4G persiste como tecnologia dominante, o que em parte se deve, segundo os peritos, aos processos mais lentos de atribuição de espectro para implantações 5G.
A taxa de penetração do 4G na Europa Ocidental situava-se nos 70%, em dezembro de 2023. Mas a expectativa é que o 5G atinja uma penetração de 85% até 2029, esperando-se também que a sua tecnologia registe um salto significativo, a partir de 2025, até alcançar metade da quota total de mercado num prazo de cinco anos.
Focando a análise na comparação entre a União Europeia e as restantes regiões, rapidamente se conclui que a Coreia do Sul mantém a liderança da implementação do 5G. O país contava, em junho de 2024, com 307 mil estações de base 5G. Tendo em conta a população beneficiada, o número é de cerca de seis vezes mais do que na UE, com 593 estações por cada 100 mil habitantes sul-coreanos.
A China, apesar dos 3,5 milhões de estações de base 5G já instaladas, tem o segundo melhor resultado com 245 estações por cada 100 mil habitantes. Os Estados Unidos surgem em quarto lugar e atras da UE, com 360 mil estações, o que equivale a 103 por cada 100 mil habitantes.
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Leia o artigo: “5G atinge 1,7 mil milhões de assinaturas e vai chegar aos 5,6 mil milhões em 2029”