
Rui Caldeira, da ARDITI, apresentou na conferência “5G em Ação” da ANACOM o projeto da Zona Livre Tecnológica “Fernão de Magalhães”, que pretende transformar a Madeira num laboratório de referência para a exploração sustentável do mar profundo. Focada na aquacultura offshore e na conservação ambiental, a iniciativa alia inovação tecnológica a parcerias estratégicas nacionais e internacionais, promovendo a economia azul e a proteção dos recursos oceânicos.
Inovação para explorar o mar profundo
O projeto da ZLT “Fernão de Magalhães” surge numa altura em que a exploração de recursos marítimos está a migrar para áreas cada vez mais profundas, devido ao esgotamento das zonas costeiras. A tendência internacional aponta para a exploração a profundidades superiores a 1500 metros, o que exige tecnologias avançadas e soluções inovadoras. A Madeira, com uma plataforma insular que atinge até 5500 metros em poucas milhas náuticas, oferece condições ideais para este tipo de investigação.
Com recurso a drones submarinos, sensores acústicos, boias inteligentes e ao cabo de fibra ótica EllaLink, o projeto combina ferramentas de última geração para recolher dados hidrográficos, mapear habitats marinhos e monitorizar biodiversidade. A comunicação em tempo real, suportada por redes 5G, Wi-Fi e satélite, agiliza e apoia os processos de tomada de decisões essenciais para atividades como a gestão da aquacultura ou a proteção de cetáceos.
Parcerias estratégicas impulsionadoras do projeto
O projeto da ZLT “Fernão de Magalhães” beneficia de colaborações com o Estado-Maior General das Forças Armadas, o Instituto Hidrográfico e instituições como a Universidade da Madeira e a EMACOM. Estas parcerias têm sido fundamentais para a aquisição de tecnologias como um drone marítimo de superfície, capaz de recolher dados hidrográficos a 3000 metros de profundidade e de comunicar com outros veículos até 7000 metros.
Durante um exercício da NATO, este drone demonstrou a sua eficácia ao mapear o canhão de Setúbal em apenas 30 horas, enquanto um navio convencional necessitou de três dias e uma equipa de 25 pessoas para realizar a mesma tarefa. Este exemplo sublinha o impacto da inovação tecnológica no aumento da eficiência das operações em mar profundo.

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Para mais informações sobre o projeto, consulte a apresentação completa aqui.
Soluções tecnológicas e visão de longo prazo
O projeto também aposta na aquisição de veículos submarinos autónomos (AUVs) modulares, capazes de operar até 6000 metros, e na construção de um navio modular de apoio, pensado para atividades científicas e empresariais. Estas infraestruturas permitirão testar tecnologias, recolher dados e criar uma versão digital detalhada do ambiente marítimo, o chamado “Oceano Digital”.
A utilização do cabo de fibra ótica EllaLink como sensor subaquático permanente é outro destaque do projeto. Através desta tecnologia, é possível monitorizar sismos, movimentos de cetáceos e alterações nas correntes oceânicas, fornecendo informação valiosa para a proteção e gestão dos recursos marinhos.
Madeira: uma sentinela no Atlântico
Com o projeto da ZLT “Fernão de Magalhães”, a Madeira consolida-se como um polo de inovação no Atlântico, equilibrando desenvolvimento tecnológico com preservação ambiental. O Arquipélago posiciona-se assim como uma referência mundial na exploração responsável do mar profundo, atraindo cientistas e investidores que partilham a visão de um futuro sustentável para os oceanos.
A aposta em parcerias estratégicas e o uso de soluções pioneiras impulsionam a economia azul da região, e reforçam o papel da ilha como uma sentinela do Atlântico e um modelo global de exploração sustentável dos oceanos.
A ZLT “Fernão de Magalhães” contribui diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Visão do apresentador
ODS 14: Conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável
O projeto visa a exploração sustentável do mar profundo, com foco na aquacultura offshore e na monitorização ambiental. A recolha de dados em tempo real sobre temperatura, correntes e outros parâmetros contribui para a gestão sustentável dos recursos marinhos. O mapeamento sonoro permite monitorizar a presença de baleias e outros cetáceos, contribuindo para a sua conservação.
ODS 13: Adotar medidas urgentes para combater as alterações climáticas e os seus impactos
O mapeamento e monitorização do oceano contribuem para a compreensão das alterações climáticas e dos seus impactos nos ecossistemas marinhos.
ODS 17: Reforçar os meios de implementação e revitalizar a Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável
A ARDITI tem estabelecido parcerias com diversas entidades, como o Estado-Maior General das Forças Armadas, o Instituto Hidrográfico, a EMACOM e a NATO, para o desenvolvimento e implementação do projeto. O projeto conta também com a participação de empresas nacionais e internacionais, fomentando a colaboração entre os diferentes atores.
Visão da audiência

A conferência 5G em ação reuniu representantes de empresas, operadores, academia, consultoras e várias entidades convidadas, proporcionando uma plataforma de partilha de conhecimento e experiências sobre as aplicações práticas do 5G.
Veja a apresentação aqui:
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Saiba mais sobre este evento: 11.ª Conferência ANACOM | 5G em ação