
A Comissão Europeia apresentou, a 30 de setembro de 2026, uma proposta para criar o Sistema de Comunicações Críticas da União Europeia (EU Critical Communication System, EUCCS), destinado a assegurar comunicações seguras e resilientes entre as autoridades e os serviços de primeira intervenção em situações de crise ou emergência.
Um dos elementos centrais da proposta é a transição dos atuais sistemas de rádio de banda estreita para tecnologias de banda larga, como o 5G. De acordo com a Comissão, os 27 Estados-Membros e os quatro países associados ao espaço Schengen deverão realizar gradualmente esta evolução tecnológica, permitindo novas capacidades nas comunicações críticas.
Com recurso a redes de banda larga, o EUCCS deverá permitir que polícias, bombeiros, serviços de emergência médica e outras entidades de proteção civil partilhem, em tempo real, voz, dados, vídeo, mensagens e informação de geolocalização através de um único dispositivo seguro. A utilização destas tecnologias deverá melhorar a coordenação entre diferentes serviços e facilitar operações que envolvam vários países.
A proposta procura responder a uma limitação dos atuais sistemas nacionais de comunicações críticas, que, segundo a Comissão, não são tecnicamente compatíveis nem estão interligados entre si. O EUCCS deverá ligar esses sistemas, possibilitando comunicações transfronteiriças em situações como incêndios, inundações, ataques terroristas ou ameaças híbridas.
O sistema combinará as comunicações terrestres com comunicações por satélite, que funcionarão como solução de recurso quando as redes terrestres estiverem indisponíveis, nomeadamente em situações de apagão. Está também prevista a utilização de encriptação e a criação de estruturas europeias dedicadas à monitorização das redes e dos riscos de cibersegurança.
A proposta apresentada pela Comissão terá agora de ser analisada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho. O lançamento do EUCCS está previsto de forma gradual, com um período de transição para a ligação dos sistemas nacionais a partir de 2030.