
O Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) está a transformar a cadeia de custódia das amostras através da utilização de tecnologia 5G. Apresentado por Maria Vieira na conferência “5G em Ação”, organizada pela ANACOM, o projeto envolve a implementação de etiquetas RFID, geolocalizadores e laboratórios móveis para garantir a rastreabilidade e segurança de amostras recolhidas em 27 gabinetes médico-legais e transportadas para delegações em Porto, Coimbra e Lisboa. O projeto é financiado pelo PRR e responde à necessidade de modernizar os processos da instituição, reforçando a eficiência, a confiança e a validade das operações médico-legais.
A cadeia de custódia das amostras é um processo crítico para a Justiça, garantindo que amostras recolhidas em contextos médico-legais mantêm a sua integridade e validade desde o momento da recolha até à análise laboratorial. Atualmente, cerca de 5000 malas de transporte, contendo dezenas de amostras cada, percorrem anualmente o país para serem processadas nas delegações do Instituto. No entanto, a monitorização deste processo, embora existente, dependia de métodos pouco automatizados, o que dificultava a rastreabilidade e aumentava o risco de erros e atrasos.
Para colmatar estas fragilidades, o Instituto desenvolveu a Plataforma CCA (Cadeia de Custódia das Amostras), um projeto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que está a integrar o 5G nos seus sistemas operacionais.
Componentes do sistema
A solução proposta inclui a utilização de etiquetas RFID para identificar inequivocamente cada amostra, registando a sua entrada e saída de instalações através de pórticos inteligentes equipados com leitores RFID (Radio-Frequency IDentification) e câmaras de operação. Este registo visual e automatizado permite um controlo rigoroso do percurso de cada amostra, desde os gabinetes médico-legais até às delegações.
A inovação do projeto estende-se ao transporte. As malas utilizadas para deslocar as amostras estão agora equipadas com geolocalizadores e sensores de temperatura que, graças à tecnologia 5G, permitem acompanhar em tempo real as condições e a localização das amostras ao longo de todo o percurso. Esta monitorização contínua assegura a rastreabilidade e a integridade do transporte, mesmo em situações críticas.

Para além de melhorar a eficiência e a segurança da cadeia de custódia, o projeto do INMLCF aposta numa segunda fase que introduzirá laboratórios móveis. Na prática trata-se de veículos elétricos, equipados com routers 5G, scanners 3D e tablets, a partir dos quais será possível realizar análises preliminares no local, facilitando o processamento imediato de dados em contextos de emergência ou intervenção forense. A tecnologia 5G irá desempenhar um papel central nesta fase, ao possibilitar a transmissão rápida e eficiente de grandes volumes de dados, como imagens digitais detalhadas de scanners 3D, diretamente para a sede do Instituto, centralizando a análise e acelerando a tomada de decisão.
Este projeto demonstra como o 5G pode ser um facilitador de inovação em setores críticos, como a justiça e a saúde. Ao assegurar a integridade e a validade das amostras através de processos automatizados e monitorizados, o Instituto está a criar condições para uma maior transparência e fiabilidade, essenciais em investigações forenses e decisões judiciais.
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Para mais informações sobre o projeto, consulte a apresentação completa aqui.
Visão do apresentador:
ODS 16: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis
O sistema desenvolvido para a cadeia de custódia das amostras reforça a integridade, transparência e fiabilidade dos processos médico-legais e forenses. Estes elementos são fundamentais para fortalecer as instituições de justiça e garantir que as decisões judiciais sejam baseadas em evidências confiáveis e rastreáveis.
Ao automatizar e monitorizar a recolha, transporte e análise das amostras em tempo real, o projeto reduz o risco de erros, perdas ou adulterações, assegurando a validade das provas. Este nível de rigor e controlo aumenta a confiança no sistema judicial e promove práticas mais justas e eficientes, alinhando-se diretamente com os objetivos do ODS 16, que procura garantir o acesso à justiça para todos e construir instituições responsáveis e transparentes.
ODS 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
O projeto introduz soluções inovadoras, como o uso de 5G, etiquetas RFID, geolocalizadores e laboratórios móveis, que transformam a cadeia de custódia das amostras, tornando-a mais eficiente e confiável. Estas tecnologias representam avanços significativos na criação de sistemas resilientes e inteligentes, promovendo a digitalização e a automatização de processos numa área crítica. Por outro lado, a utilização de veículos elétricos e equipamentos de última geração demonstra um compromisso com a sustentabilidade, reduzindo o impacto ambiental e promovendo uma industrialização mais inclusiva e sustentável.
Visão da audiência
ODS 16: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis
ODS 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
ODS 17: Reforçar os meios de implementação e revitalizar a Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável
ODS 3: Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
ODS 11: Tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis

A conferência 5G em ação reuniu representantes de empresas, operadores, academia, consultoras e várias entidades convidadas, proporcionando uma plataforma de partilha de conhecimento e experiências sobre as aplicações práticas do 5G.
Veja a apresentação aqui
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Saiba mais sobre este evento: 11.ª Conferência ANACOM | 5G em ação