
Miguel de Castro Neto, diretor da Nova Information Management School (NOVA IMS), apresentou na Conferência “5G em Ação” a visão transformadora da conectividade 5G para o desenvolvimento de cidades inteligentes e sustentáveis. Representando o Urban Analytics Lab da Universidade Nova de Lisboa, destacou projetos e estratégias analíticas que permitem redefinir os conceitos de eficiência, segurança e sustentabilidade urbana.
Do planeamento à transformação
O Urban Analytics Lab iniciou o seu trabalho com uma abordagem focada em resolver problemas específicos. Em Lisboa, desenvolveu um modelo preditivo para a rede de bicicletas GIRA, que utiliza dados em tempo real para prever a ocupação das estações e otimizar a gestão de bicicletas e das docas. Este projeto melhorou a experiência dos utilizadores e demonstrou também o impacto do 5G na eficiência operacional e na mobilidade urbana.
Outro exemplo em destaque foi a criação de um indicador de risco que identifica os fatores mais associados aos acidentes. Através deste simulador, é possível testar intervenções, como mudanças na velocidade, no número de faixas ou na presença de radares, para reduzir a probabilidade de acidentes. Curiosamente, os dados revelaram uma transformação nos padrões de comportamento: os radares, antes associados a acidentes, promovem agora segurança ao serem percebidos como um fator dissuasor.
Cidades mais inteligentes
Com o tempo, o Urban Analytics Lab ampliou a sua abordagem, explorando temas mais abrangentes e de impacto direto na qualidade de vida nas cidades.
O conceito de cidade dos 15 minutos, aplicado em Oeiras, permitiu mapear a proximidade dos cidadãos a serviços essenciais como escolas, espaços desportivos e restaurantes. Este estudo que destacou a importância do planeamento urbano centrado nas pessoas, evidenciou também a relevância de soluções acessíveis e sustentáveis que promovem maior equilíbrio entre as necessidades da comunidade e a infraestrutura urbana.
A mobilidade pedonal tornou-se igualmente uma prioridade. No Parque das Nações, Marvila e Beato, foi criado um indicador de caminhabilidade para avaliar a adequação das ruas a deslocações a pé. Utilizando dados de telemóveis que monitorizam padrões de movimento e velocidades, o modelo foi validado com precisão.
No Porto, o laboratório desenvolveu um indicador de dinâmica urbana para medir o impacto de eventos. Este sistema avalia a reação da cidade antes, durante e depois de grandes acontecimentos, permitindo uma gestão eficiente em tempo real e otimizando o planeamento de eventos futuros.
Estes projetos sublinham a importância de um planeamento urbano inclusivo, centrado nas pessoas e suportado por dados em tempo real, capacitando as cidades para se adaptarem às necessidades dos seus habitantes e promoverem maior sustentabilidade e eficiência.

Conectividade, maturidade digital e desafios
Apesar do sucesso obtido em grandes centros urbanos, Miguel de Castro Neto sublinhou que a falta de conectividade e maturidade digital em muitos municípios portugueses representa um dos principais desafios para a implementação de soluções inteligentes e sustentáveis. Para enfrentar esta realidade, foi concebido o projeto Smart Region, que adota uma abordagem top-down, baseada em dados agregados provenientes de fontes como operadoras de telecomunicações, CBS Analytics e Waze. Esta estratégia permite ultrapassar limitações locais, oferecendo aos municípios insights estratégicos que antes estavam fora do seu alcance.
Um exemplo concreto do impacto do Smart Region é a Comunidade Intermunicipal do Oeste, onde foram integrados dados da bilhética. Estes dados possibilitam análises detalhadas sobre padrões de mobilidade, utilização de transportes públicos e impacto de eventos na região, promovendo um planeamento mais fundamentado. Já na região de Viseu Dão Lafões, o projeto tem permitido mapear padrões de residência e deslocação, oferecendo às autoridades ferramentas para uma gestão territorial mais eficiente e informada.
O Smart Region exemplifica como a análise de dados pode capacitar municípios com menor maturidade digital, democratizando o acesso a soluções tecnológicas avançadas e promovendo um desenvolvimento mais equitativo e sustentável.
O futuro: Gémeos Digitais
Os gémeos digitais representam uma das apostas mais audaciosas do Urban Analytics Lab. Estas réplicas tridimensionais de áreas urbanas, alimentadas por dados em tempo real e Inteligência Artificial, permitem simular e prever o impacto de intervenções na dinâmica das cidades. Com o projeto europeu Next City, já em desenvolvimento, o laboratório pretende criar um gémeo digital da Baixa Pombalina, um passo importante que permite integrar dados de sensores e Inteligência Artificial Generativa para testar intervenções urbanas e prever os seus impactos no metabolismo da cidade. A conectividade 5G desempenha aqui um papel fundamental, permitindo o processamento e a transmissão de grandes volumes de dados de forma quase instantânea.
5G: O Motor de Transformação Digital
Portugal tem demonstrado ser um terreno fértil para a inovação tecnológica, posicionando-se como um laboratório vivo onde conectividade, ciência de dados e Inteligência Artificial convergem para transformar cidades e comunidades. Os projetos apresentados por Miguel de Castro Neto na conferência “5G em Ação” ilustram como a conectividade 5G pode otimizar serviços urbanos e capacitar municípios menos desenvolvidos, promovendo um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.
Ao unir visão estratégica, colaboração intermunicipal e tecnologia de ponta, o país dá passos significativos rumo a um futuro onde cada cidade, independentemente da sua dimensão ou maturidade digital, pode beneficiar de soluções inteligentes e orientadas para as pessoas. O compromisso em partilhar conhecimento e alargar estas iniciativas a contextos globais reflete uma ambição clara: transformar desafios em oportunidades e consolidar Portugal como um exemplo de inovação urbana no cenário internacional.
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Para mais informações sobre o projeto, consulte a apresentação completa aqui.
Visão do apresentador:
ODS 11: Tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis
Este ODS é beneficiado pela otimização da mobilidade, planeamento urbano baseado em dados, gestão eficiente de recursos, extensão da inteligência urbana ao mar e criação de gémeos digitais com IA. Projetos como a gestão da rede GIRA, a análise da caminhabilidade e a avaliação da proximidade aos serviços promovem cidades mais inteligentes e sustentáveis. Os projetos apresentados promovem cidades mais inteligentes, sustentáveis e inclusivas, com foco na mobilidade, planeamento urbano e gestão eficiente de recursos.
O orador menciona a Estratégia Nacional dos Territórios Inteligentes, que visa garantir que qualquer município possa beneficiar dos insights gerados através da análise de dados.
ODS 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
Este ODS é impactado pelo forte foco em inovação tecnológica, desenvolvimento de infraestruturas inteligentes, promoção da conectividade 5G, investimento em pesquisa e desenvolvimento, aumento da eficiência e transferência de conhecimento. A abordagem de análise de dados em top-down, com o modelo Smart Region, permite que qualquer município, independentemente da sua maturidade digital, beneficie destes avanços
Visão da audiência
ODS 11: Tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis
ODS 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
ODS 17: Reforçar os meios de implementação e revitalizar a Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável

A conferência 5G em ação reuniu representantes de empresas, operadores, academia, consultoras e várias entidades convidadas, proporcionando uma plataforma de partilha de conhecimento e experiências sobre as aplicações práticas do 5G.
Veja a apresentação aqui
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Saiba mais sobre este evento: 11.ª Conferência ANACOM | 5G em ação