
Na Conferência “5G em Ação”, promovida pela ANACOM, Carlos Leitão, à data Diretor Técnico do SIRESP S.A., anunciou a transformação tecnológica do operador nacional de comunicações de emergência com a implementação do 5G. Esta evolução, em curso desde 2022, visa substituir gradualmente a rede TETRA por uma rede avançada que integra voz e dados de alta velocidade, com desativação prevista para 2030. Apostando no SIRESP Lab, baseado no conceito de Zona Livre Tecnológica (ZLT) para testar novas soluções, e em parcerias estratégicas com a indústria, o SIRESP S.A. prepara-se para oferecer comunicações mais resilientes e eficientes, reforçando a segurança pública e o apoio às operações de emergência em todo o território nacional.
O Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, S.A. (SIRESP) está a protagonizar uma transformação tecnológica ao adotar a tecnologia 5G, inaugurando uma nova era nas comunicações de emergência. Esta evolução permite a transição de um sistema tecnológico de banda estreita (narrowband), focado principalmente em voz, para uma rede avançada que combina serviços de voz e dados de alta velocidade, alavancando o potencial do 5G.
Desde o início da sua atividade em 2006, o SIRESP tem passado de uma simples gestora de contratos para um operador de comunicações com infraestrutura própria, consolidando-se como um pilar essencial na segurança e na resposta eficaz a emergências em Portugal.
A infraestrutura atual da SIRESP é robusta, conta com 547 estações de base e 1200 portadoras, cobrindo todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas. A rede garante redundância de comunicações, com circuitos terrestres e por satélite, e redundância de energia, assegurando a sua operacionalidade contínua, mesmo em condições adversas. Esta fiabilidade é um dos pilares do sistema, que procura manter um uptime de quase 100%, mesmo durante manutenções planeadas.
A transição para o 5G surge como uma evolução natural, mas também como um desafio complexo. A rede atual, baseada em tecnologia TETRA (TErrestrial Trunked RAdio), é limitada em termos de largura de banda, o que dificulta a utilização de serviços mais avançados de dados. Assim, o SIRESP está a trabalhar na implementação do seu próprio core 5G, de modo a integrar esta nova tecnologia com a rede TETRA existente. Este processo passa pela resolução de desafios como a interoperabilidade, devido à natureza proprietária das normas TETRA, que necessita de soluções de IWF (Internet Working Function) para se conectar com as normas do 3GPP (3rd Generation Partnership Project).
A estratégia do SIRESP assenta em múltiplas iniciativas e num roteiro cuidadosamente delineado, tendo o SIRESP Lab como um dos seus pilares fundamentais. Este laboratório tecnológico é o espaço onde novas soluções são desenvolvidas, testadas e validadas, sempre com base em casos de uso propostos pelas entidades utilizadoras. O SIRESP Lab destaca-se pela sua capacidade de reunir a participação ativa da indústria, funcionando como um catalisador de inovação e promovendo a criação de soluções mais eficientes para as comunicações de emergência. Contando com financiamento diversificado, o laboratório reforça o seu papel estratégico no avanço tecnológico do sistema.
Complementarmente, a Academia SIRESP desempenha um papel chave na capacitação dos utilizadores da rede de comunicações do SIRESP, através de programas de formação como os Tech Days ou os Bootcamps, que garantem a disseminação de conhecimento e a preparação técnica necessária para enfrentar os desafios do futuro.

A definição do modelo 5G para o SIRESP continua, contudo, em discussão, com o modelo híbrido a emergir como a opção mais provável. Este modelo, que combina a utilização de espectro próprio com o espectro disponibilizado por operadores móveis, garante cobertura em todo o território nacional, incluindo as áreas menos populosas – um requisito essencial para operações de emergência. Além disso, o SIRESP procurará também assegurar a utilização de espectro dedicado nas faixas de frequências dos 698 MHz aos 703 MHz e dos 733 MHz aos 738 MHz, reforçando a sua autonomia e garantindo a capacidade de cobertura eficiente em todas as zonas necessárias.
O plano de transição para o 5G encontra-se em curso desde 2022, com marcos bem definidos. Entre setembro e outubro de 2024, cinco organizações deram início a testes piloto na nova rede, marcando um passo significativo rumo à modernização das comunicações de emergência. A desativação gradual da rede TETRA, prevista para 2030, assegurará uma transição suave e estruturada para todos os utilizadores desta rede. O principal objetivo desta transformação é modernizar as comunicações de emergência, oferecendo maior resiliência, capacidade de resposta e eficiência em qualquer situação.
Ao adotar tecnologias de ponta, o SIRESP reforça o seu compromisso com a segurança e o bem-estar da população, através de uma abordagem inovadora que lhe permite continuar a desempenhar um papel decisivo nas comunicações de emergência em Portugal, acompanhando a evolução tecnológica e fortalecendo a sua missão de apoio às entidades utilizadoras da rede em todas as circunstâncias.
________________________________
Para mais informações sobre o projeto, consulte a apresentação completa aqui.
Visão do apresentador:
ODS 16: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis
O SIRESP garante as comunicações necessárias para as entidades de segurança e emergência, independentemente do cenário, contribuindo para a resposta a situações de crise, segurança e manutenção da ordem, que são elementos-chave para a paz e a justiça.
ODS 15: Proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, travar e reverter a degradação dos solos e travar a perda de biodiversidade
Ao assegurar as comunicações entre as entidades que atuam em situações de emergência, como incêndios ou outros desastres, o SIRESP contribui para a preservação da vida e para a proteção dos ecossistemas terrestres. A referência ao incêndio da Serra da Estrela ilustra bem a importância do sistema para a proteção da vida e do património ambiental.
ODS 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
Ao desenvolver o SIRESP Lab para testar novas tecnologias e ao procurar soluções de interconectividade com a indústria, o projeto contribui para a inovação e o desenvolvimento de infraestruturas de comunicações.
ODS 11: Tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis
Ao assegurar as comunicações em situações de emergência, o SIRESP apoia as comunidades na resposta a crises, contribuindo para a criação de cidades e comunidades mais seguras e resilientes.
Visão da audiência
ODS 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
ODS 17: Reforçar os meios de implementação e revitalizar a Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável
ODS 16: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis
ODS 15: Proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, travar e reverter a degradação dos solos e travar a perda de biodiversidade

A conferência 5G em ação reuniu representantes de empresas, operadores, academia, consultoras e várias entidades convidadas, proporcionando uma plataforma de partilha de conhecimento e experiências sobre as aplicações práticas do 5G.
Veja a apresentação aqui
___________________________________________
Saiba mais sobre este evento: 11.ª Conferência ANACOM | 5G em ação